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Geografia

Gestão Portuária

Inicialmente é imperativo destacar que o espaço portuário é um lugar destinado para que as embarcações de navios sejam descarregadas e carregadas, com base na organização estabelecida pela equipe administrativa do porto, embora no passado não existisse uma preocupação administrativa de controle quantitativo e organização/gestão dos processos portuários como atualmente.

Nessa perspectiva, hoje em dia existem movimentações de mercadorias que pouco se relacionam com o território que atravessam, pois os navios trazem mercadorias que são levadas via rodovias, ferrovias e hidrovias para outros estados, municípios, países e continentes.

Sendo assim, a globalização encontra-se presente, na gestão portuária, na diversidade de nações que abrangem os navios, mercadorias, portos, funcionários e operadores, comandantes, etc., onde breve situação exemplifica o contexto: supõe-se que uma mercadoria paraguaia atravessa o sul brasileiro para embarcar a carga em Paranaguá, em um navio indiano, comandado por um francês, cujo destino é a China e os operários são angolanos.

Nessa situação, em virtude da diversidade e quantidade de mercadorias e processos burocráticos, o governo federal acaba geralmente privatizando os portos, onde são dadas concessões, via contrato, para que empresas privadas façam a administração dos portos por 20 a 30 anos.

Na realidade não existe no mundo um modelo padrão para administração dos portos, embora ambos sejam universais, pois recebem mercadorias de qualquer parte do mundo. Todavia, frequentemente é notória a concorrência entre os portos privados, ao que concerne a qualidade das técnicas de carregamento/descarregamento, bem como quantidade de funcionários.

Nessa situação os administradores devem constantemente investir na infraestrutura de seu porto, para atrair navios que pagarão para descarregarem e carregarem, o que de certa forma acaba produzindo uma ampla concorrência financeira entre os gestores portuários, uma vez que investir no porto é incerto, pois se investe na infraestrutura portuária e o porto pode não receber navios para descarregarem, consequência que atinge indiretamente o serviço público, pois o governo não tem dinheiro para investir nas técnicas, na infraestrutura e nos funcionários portuários, uma vez que o investimento é um lucro incerto e não existe certeza de que os navios iram descarregar no porto, pois eles podem escolher outro porto para descarregar. Nessa situação os portos são universais, geralmente administrados pelo poder privado e não pelo poder público, uma vez que existem esses problemas apontados.

Algumas dificuldades quanto à geografia dos transportes apresenta-se de forte presença no Brasil, pois as mercadorias cortam o território brasileiro via as rodovias, onde os caminhões deixam suas cargas (soja, carvão, etc.) nas estradas por onde passam, bem como poluem o ambiente urbano, onde o porto esta instalado. É importante considerar ainda que as cidades portuárias não ganham nada com o porto. Pelo contrario, só perdem, pois o porto apenas recebe as mercadorias que são levadas pelos navios ou caminhões. Enquanto isso, a cidade é poluída ambientalmente pelo processo de carga/descarga como a poluição sonora, atmosférica e hídrica, sem mencionar que o porto gera poucos empregos para a cidade local.

Em contra partida, nos países desenvolvidos, as mercadorias são transportadas por hidrovias e ferrovias que pouco poluem o ambiente e não congestionam as rodovias como ocorre no Brasil.

No contexto ambiental, a relação entre porto e cidade é conflituosa, pois de pouco adianta ter um porto sustentável se a cidade não é, e vice e versa. Por exemplo, em Paranaguá não existe aterro sanitário e nem estação de tratamento de esgoto, e geralmente o óleo dos carros, caminhões e navios convergem todos para a orla marítima, apresentando a redução do aprofundamento dos estuários e cabe a administração dos portos dragarem esses materiais para os navios atracarem.

Concluindo, ressalva-se ainda que conforme os navios evoluem e crescem, os portos devem se atualizar e aperfeiçoar sua infraestrutura para receberem os navios de grande porte.

Sobre Ramon Bieco

Professor de Geografia desde 2009

Discussão

Um comentário sobre “Gestão Portuária

  1. Muito legal, saber mais um pouco da minha cidade.É pura realidade.

    Publicado por Maria Luci S. Patulski | 23 de agosto de 2013, 17:33

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