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Geografia

Geografia Médica e da Saúde

Geografia Médica e da Saúde 2

Partindo do princípio de que a ciência geográfica se preocupa com os fenômenos relacionados ao ser humano, o sub ramo Geografia da Saúde contempla problemas de ordem sociais, ambientais, sobretudo tangentes ao processo de saúde do ser humano.

Todavia, o que se entende por saúde? O que se entende por doenças?

EVOLUÇÃO DA GEOGRAFIA MÉDICA PARA A GEOGRAFIA DA SAÚDE

Conforme apontam os atuais registros, a preocupação entre a relação saúde e ambiente se iniciou na Grécia Antiga, com um filósofo chamado Hipócrates que realizou observações quanto as mudanças climáticas e a ocorrência de determinadas doenças.

Considerado o pai da Medicina, Hipócrates escreveu expressivos e substanciais obras, cujo texto primordial fora “Dos ares, das águas e dos lugares”.

Em detrimento dessa relação pioneira entre meio ambiente e saúde, Hipócrates é considerado por muitos estudiosos como um dos fundadores da Geografia Médica.

Hipócrates

A obra “Dos ares, das águas e dos lugares” postulava que as doenças estavam inerentes as condições climáticas e portanto, os ventos frios traziam o resfriado, as águas insalubres e os pântanos trariam dores de barriga e diarreias.

Observa-se que o postulado de “beber chá para curar a tose do bebe” é fundado no pensamento hipocrático, o que nos leva a crer que as ideias de Hipócrates estruturaram a Medicina reconhecida como moderna.

A Geografia Médica nasce nesse campo ideológico e filosófico, contudo não empírico e nem científico, haja vista que os microrganismos e as bactérias não tinham sido descobertas até então.

A preocupação empírica com o contágio das doenças é estruturado pela Medicina hindu e chinesa, que assim como a Medicina grega, considerava os aspectos ambientais como a origem de determinadas doenças.

Portanto, estimava-se que na época alguns insetos e animais portariam doenças que somados as mudanças climáticas iriam ocasionar inumeráveis doenças.

Durante a Idade Média (5.000 – 15.000), estimava-se que a origem das doenças estavam relacionadas com os aspectos religiosos.

Nesse contexto, as pesquisas pouco avançam no quesito saúde, em detrimento do poder exercido do cristianismo sob a população.

Em virtude da falta do conhecimento preventivo, esse período é marcado por expressivas epidemias que dizimaram substancialmente a população europeia, africana e parte da Ásia.

Observa-se que nesse período, por falta de médicos, os padres e religiosos é quem tomavam conta dos doenças, sob o viés de que as doenças eram um castigo divino devido a um possível pecado do individuo.

Uma das epidemias que ficou mais conhecida nesse período foi a Peste Negra.

A Peste Negra (também denominada de Peste Bubônica) assolou a população no século XIV, em virtude uma bactériaencontrada na pulga dos ratos que contaminavam o ser humano.

Devido a ausência de antibióticos na época, 60% dos infectados foram a óbitos, registrando uma mortalidade de 50 milhões (2/3 da população mundial).

Peste Negra

No alvorecer do século XIV, o mercantilismo amplia consideravelmente as relações econômicas entre os Estados, possibilitando assim um conhecimento macro das questões urbanas.

A partir do século XV, as Grandes Navegações possibilita a crescente catalogação de rios, ilhas e diferentes culturas.

Todo esse conhecimento resulta em enciclopédias que foram constituídas como tal no Iluminismo.

A história demonstra que no século XVI as pesquisas químicas ganharam espaço e avançaram sobretudo no quesito do corpo humano.

Um suíço alquimista, médico e químico  chamado Paracelsus difundiu a lógica de que as doenças deveriam ser tratadas pela química, pois os elementos físicos e biológicos são passíveis de serem analisados pela química.

Paracelcius

Portando, Paracelsus iniciou o tratamento de díspares moléstias com alguns minerais e metais, sobretudo o mercúrio que combatia a epidemia da Sífilis.

Medicina Social

No decorrer do século XVII, a filosofia moderna estrutura um pensamento mecanicista, cujos fenômenos estão integrados a uma lógica mecânica.

Assim sendo, um filósofo chamado Descartes estabelece um dualismo entre corpo e mente.

Segundo François Xavier Bichat (1771 – 1802), o estado de saúde do ser humano significaria “o silêncio do organismo”.

Descartes

Século XVII

No mesmo momento, Descartes escreve a obra “Discurso do Método” (1637) e embasa a lógica mecanicista sob um viés disciplinar.

Portando estruturam-se as disciplinas científicas que objetivavam a uma razão universal.

Verifica-se nesse momento que o método cartesiano sistematiza a produção do conhecimento científico e fortalece as pesquisas científicas.

Discurso do Método

Observa-se que no fim do século XVII, Smith estrutura uma visão de Estado liberal, voltado para a produção capitalista.

Nesse contexto, o pensamento de Smith se embasava na divisão do trabalho social voltado para o acumulo de riquezas.

Na mesma época, instalam-se revoluções pelo hemisfério norte como a Francesa (1789), a Americana (1776) e a Industrial na Inglaterra de 1760.

Smith

Após a Revolução Industrial na Inglaterra, verifica-se a instalação de uma economia instalada na lógica industrial.

Os estudos da Geografia Médica eram voltados para a Topografia Médica, assim sendo um conhecimento compilado em dados.

Nesse contexto, as pesquisas eram cunhadas com base no mapeamento de doenças, cidades, rios e informações quanto as condições climáticas.

Revolução Industrial

No século XIX, uma cidade europeia teve sua população assolada por uma epidemia de Cólera.

Com base em um mapa residencial, um médico chamado John Snow decidiu registrar um X vermelho nas casas que apresentavam a doença.

mapeamento da Cólera de Snow

Ao realizar o mapeamento da doença, o médico verificou que os casos de Cólera estavam próximos a um poço artesiano e presumiu que o foco da doença era o poço de água.

Considerado um dos pioneiros no mapeamento patológico, esse médico deu margem a Epidemiologia Moderna.

Snow

Teoria da Unicausalidade

Teoria da Multicausalidade

Com o advento da Teoria da Multicausalidade, emerge em 1939 a Teoria dos Focus Naturais.

Elaborada por um russo chamado Pavlovsky, propunha reconhecer o focos ambiental (de ordem química, biológica e física) de determinadas doenças.

O principal objetivo dessa teoria era de compilar os elementos e substâncias que originavam epidemias como a Dengue.

Pavlovsky

A década de 1940 assiste a estruturação de um “Complexo Patogênico”.

Um francês chamado Max Sorre instala no espaço mundial conhecido, uma faixa que determinaria a ocorrência de determinadas doenças.

Considerando os aspectos climáticos, culturais e a ocorrência de determinadas epidemias, Sorre afirmava que determinados ambientes teriam condições favoráveis ao desenvolvimento patológico.

Sorre

Regiões de trasmissão da Dengue

Castro e a Geografia da Fome

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Sobre Ramon Bieco

Professor de Geografia desde 2009

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